Um design system para a próxima tela não sair diferente

Tokens, componentes, padrões de tela e documentação para um ERP SaaS B2B, expandidos a partir de uma biblioteca parcial enquanto o produto seguia sendo entregue. Com regras que pessoas e IA conseguem seguir.

Case de design system / Produto SaaS B2B

Empresa Turn2CAno 2026Papel Criação e documentação do design system, em dupla com outro designerStatus Projeto real
Capa do Turn2C Design System: título sobre fundo laranja, contadores de 65 páginas, 71 conjuntos, 698 componentes e 184 tokens, e peças reais do sistema flutuando ao lado, como a página de documentação do botão, badges, um input em foco e um toast de sucesso

Ponto de partida

De uma biblioteca parcial a um sistema documentado

O ponto de partida foi uma biblioteca pré-estruturada por um designer anterior, baseada em Tailwind e com alguns componentes. Sobre ela, o sistema foi expandido até os números de hoje, registrados no painel de métricas do próprio Style Guide.

65páginas de Style Guide, com foundations, componentes e macro componentes
184tokens como variables: cor, espaçamento, tipografia e raio
71conjuntos de componentes, somando 698 variantes
23/23componentes com página de documentação completa

Cenário

Um ERP denso, sobre uma base incompleta

Um produto SaaS B2B de gestão, com muitas entidades relacionadas, cálculos, validações e impedimentos. O designer não recebe wireframe: recebe regra de negócio, muitas vezes escrita para desenvolvedor.

Havia uma biblioteca parcial, criada por um designer anterior sobre uma estrutura baseada em Tailwind, com alguns componentes. Faltavam estados, padrões de tela, regras de escrita e documentação, e tudo o que ficava fora dela ainda era decidido tela a tela, enquanto o time precisava entregar funcionalidade.

Os detalhes do produto ficam de fora por confidencialidade. Este case mostra o sistema.

Desafio

Expandir a base sem parar a esteira

Expandir o sistema e alimentar a demanda ao mesmo tempo produzia três problemas encadeados.

Deriva de layout

Cada tela era montada seção por seção, então duas telas do mesmo tipo saíam diferentes: card em outra posição, botão com rótulo genérico, cor fora do token.

Nenhum contrato com o desenvolvimento

Sem estados, nomes de propriedade e tokens definidos, o handoff virava interpretação, e a divergência só aparecia na revisão.

Custo que crescia com a escala

Sem padrão, cada nova tela dependia de decisões manuais, e o custo de desenhar subia em vez de cair.

Arquitetura

Seis camadas, do token à tela

Cada camada só usa a de baixo. Tokens alimentam os fundamentos, que formam os componentes, que compõem os macro componentes de navegação e dados, os padrões de tela e, por fim, as telas. Mudar um token atualiza tudo o que está acima dele.

Diagrama em escada com as seis camadas do sistema: 01 Tokens, 02 Fundamentos, 03 Componentes, 04 Macro componentes, 05 Padrões de tela e 06 Telas, cada uma com uma miniatura e uma frase de descrição

Escopo

Mais do que uma biblioteca de componentes

A camada de design inteira do produto, em seis frentes construídas em paralelo.

Tokens e fundação visual

Dez escalas de cor de 50 a 900, espaçamento em múltiplos de 4 e uma lista fechada de tamanhos de fonte.

Biblioteca de componentes

Input com sete estados e catorze variantes de conteúdo, botões por intenção, tabela, alertas, toasts, empty states e mais.

Navegação como componente

Menu lateral, item expansível, breadcrumb e título de página como peças do sistema, não redesenhados a cada tela.

Padrões de tela

Três estruturas de tela, cada uma com playbook próprio e um template validado como origem de toda tela nova.

UX writing normatizado

Title Case, verbo de ação específico em botão, helper text que explica o que preencher e erro que diz como corrigir.

Documentação

Página de componente com onze seções fixas, changelog e painel de métricas de cobertura.

Fundação

Cor e tipografia como contrato

Dez escalas de cor de 50 a 900, com uma regra de uso por faixa: 50 a 200 para fundos, 300 a 500 para elementos interativos, 600 a 900 para texto, ícones e estados. Nenhuma cor entra em tela como hexadecimal, sempre como variable vinculada.

primary-500#FF6600
primary-600#E85D00
primary-50#FFF0E6
gray-900#18181B
gray-600#52525B
gray-200#E4E4E7
gray-50#FAFAFA
As seis escalas principais de cor, primary, grayscale, success, info, warning e error, de 50 a 900, agrupadas em três faixas de uso: fundos e superfícies, elementos interativos e texto, ícones e estados

Na tipografia, Inter em 15 tamanhos e 9 pesos, somando 135 text styles. A lista de tamanhos é fechada: 11, 13 e 32 são proibidos por quebrarem a escala.

Style Guide
  • Regular
  • Medium
  • SemiBold

Inter

Distribuição
Google Fonts
Autoria
Design by Rasmus Andersson
No sistema
15 tamanhos · 9 pesos · 135 text styles
Font Family

Inter é uma sans-serif desenhada para interfaces em tela. A altura-x generosa e os números tabulares ajudam na leitura de tabelas, formulários e valores, que são o dia a dia de um ERP.

Inter, a família tipográfica do sistema: distribuída pelo Google Fonts, desenhada por Rasmus Andersson.
Espécimen tipográfico: a escala de tamanhos de 10 a 96 pixels, os nove pesos da Inter e os tamanhos proibidos 11, 13 e 32 riscados

Grid

Breakpoints e grid para um ERP desktop-first

O ERP é usado principalmente no desktop, então a base do sistema é 1440px. As telas internas usam a sidebar fixa de 240px e uma área de conteúdo de 1152px em 8 colunas. Login e onboarding, sem sidebar, usam 12 colunas em 1344px. Com o menu recolhido em 72px, a área de conteúdo também passa a 12 colunas.

1440px de viewport, a base do sistema
8/12colunas, com e sem sidebar
24px de gutter entre colunas
48px de margem lateral

Com sidebar telas internas, padrão do ERP

  • 1152px área de conteúdo
  • 8 colunas fluidas
  • 24px gutter
  • 48px margem à esquerda

Sem sidebar login e onboarding

  • 1344px área de conteúdo
  • 12 colunas de 90px
  • 24px gutter
  • 48px margem dos dois lados
Os dois modos de grid do ERP, ambos sobre o viewport de 1440px.
Breakpoints, na escala do Tailwind
BreakpointFaixaUso no ERP
2xla partir de 1440pxDesktop padrão, a base do design system
xl1280 a 1439pxMonitores HD (1366px); tabelas e modais são testados aqui
lg1024 a 1279pxNotebooks e monitores compactos; a sidebar recolhe para 72px
md768 a 1023pxSuporte mínimo, sem telas desenhadas para ele
sm640 a 767pxFora do alvo do ERP

A regra é a mesma do resto do sistema: nada é posicionado fora do grid, e nenhum breakpoint é criado fora da escala do Tailwind.

Componentes

Estados como requisito, não como refinamento

O input nasceu com sete estados e catorze variantes de conteúdo, entre ícone, prefixo, sufixo, área de texto e máscara de telefone. Todo componente interativo suporta a cadeia completa, não apenas o estado feliz.

O componente Input e Select nos sete estados: default, hover, active, focus, filled, error e disabled, preenchido com o campo Razão SocialAmostra da biblioteca: botões por intenção, badges nos sete sentimentos, toggles, checkboxes, um alert informativo e um toast de sucesso
Cadeia de estados obrigatória para componentes interativos
EstadoDefinição
DefaultEstado inicial, borda neutra
HoverPonteiro sobre o elemento
ActiveCursor dentro do campo, em digitação
FilledPreenchido, sem foco
ErrorValidação falhou, borda e texto em error
DisabledDesabilitado, sem interação
FocusFoco por teclado, borda em primary

Decisões

As regras que seguram a consistência

A decisão estruturante veio antes dos componentes: tratar o sistema como infraestrutura legível por máquina. Cor, componentes, navegação, tabelas, nomenclatura e o mapa de RGB para nome de variable foram escritos em arquivos versionados, para que o trabalho no Figma seguisse regra explícita, não instrução solta.

Padronizar o conjunto de telas, não a tela isolada

Toda funcionalidade tem seis telas previsíveis, listagem, listagem vazia, adicionar ou editar, validação, sucesso e menu, e cinco modais padrão, de confirmar exclusão a exclusão impedida. Os casos ingratos, como excluir um registro com dependência, passam a ser desenhados sempre.

Clonar templates validados em vez de montar do zero

Foi a regra que resolveu a deriva. As demandas foram classificadas em três estruturas de tela, cada uma com playbook e template de referência.

Toda tela nova nasce do clone de um template validado e é adaptada. Montar seção por seção é proibido, porque era exatamente o que produzia a inconsistência.

Regra de ouro do playbook de criação de layout

Um gate de validação antes de entregar

Nenhuma tela é apresentada sem passar pelo checklist, que reprova a entrega antes de ela chegar ao time.

Todo elemento é instância de componente do Style Guide, sem forma ou ícone desenhado à mão
Toda cor é variable vinculada, sem hexadecimal em tela
Todo texto usa estilo de texto do sistema, sem fonte manual
Inputs e botões em medium, nunca large ou small
Espaçamentos em múltiplo de 4
Title Case nos títulos e verbo de ação específico nos botões
Navegação consistente, com o item correto ativo em cada nível
Campo somente leitura em info-card, nunca em input disabled

Status visível no próprio arquivo

Cada componente e cada tela carrega uma tag de progresso, e produto e engenharia sabem o que está pronto sem perguntar.

RtD pronto para desenvolvimento  WiP em andamento  Blocked dependência pendente  Template base, não implementar

O que foi descartado

  • Estilos de pintura saíram do arquivo, o que tornou obrigatório vincular cor por variable.
  • Improviso de componente foi proibido: se algo não existe no Style Guide, aponta-se a alternativa mais próxima ou abre-se demanda para o sistema.
  • Redimensionar instâncias sem auto layout foi vetado, porque quebrava o posicionamento interno.

Documentação

Documentar no mesmo ritmo em que o sistema cresce

Cada componente tem uma página com onze seções fixas, de tokens e anatomia a estados, acessibilidade e exemplos em contexto. Como o formato não muda, documentar vira preencher uma estrutura conhecida. As propriedades aparecem em par propriedade e valor, do jeito que o desenvolvimento consome.

A página de documentação do componente Button exibida num tablet sobre fundo laranja, com marcadores numerados nas seções, ao lado da lista das onze seções fixas

Um changelog registra o que mudou e um painel de métricas mostra a cobertura. Quando uma demanda revela um componente que não existe, ela vira demanda do sistema, que cresce por necessidade real e não por antecipação.

IA no processo

IA desde o início, apoiada em regra

A IA é parte de como o sistema foi construído. O trabalho no Figma é operado por Claude Code via MCP, escrevendo no arquivo pela chave do documento. O que tornou isso confiável não foi o modelo, foi a camada de regra.

Fluxo em seis etapas: arquivos de regra, duas trilhas de skills, Claude Code, MCP do Figma, Style Guide no Figma e gate de validação, com um catálogo de erros conhecidos que volta para as regras
  1. Arquivos de regra. Cor, componente, token, navegação e nomenclatura em formato que a IA lê a cada sessão. O mapa de RGB para variable resolve o erro mais frequente: a cor certa aplicada da forma errada.
  2. Duas skills, uma por trilha. A de telas classifica a estrutura, clona o template, adapta e roda o gate. A de documentação lê variantes, propriedades e tokens, preenche as onze seções e atualiza changelog e métricas.
  3. Catálogo de erros conhecidos. Cada falha real vira entrada com causa e correção, como enum inválido em sizing, FILL aplicado antes de inserir o nó no pai ou fonte não carregada antes de editar texto.

O catálogo de erros é a parte menos glamourosa e a mais decisiva: é o que impede o mesmo problema de voltar na semana seguinte.

Resultados

De base parcial a sistema completo

É um sistema para uso interno, então o impacto se mede em consistência, previsibilidade e velocidade, não em conversão.

  • Cobertura integral: 65 páginas no Style Guide, 54 de 54 itens e 23 de 23 componentes documentados no último registro de métricas.
  • Zero cor hardcoded e zero fonte manual nas telas que passam pelo gate, por construção.
  • Deriva de layout resolvida na origem, ao trocar montagem por clone de template validado.
  • Escopo previsível por funcionalidade: seis telas e cinco modais, sem discussão sobre o que desenhar.
  • Handoff com contrato explícito: estados nomeados, propriedades documentadas, tokens em vez de valores e tag de status.
  • Onboarding reduzido a ler um playbook. Uma pessoa nova, ou um agente, produz tela aderente pelo mesmo caminho.

Próximo passo

De base de um produto a design system da empresa

O sistema nasceu para um produto, mas com estrutura de sistema: tokens em escala, componentes com propriedades declaradas, documentação com formato fixo e regras em arquivo. Isso viabiliza o passo seguinte, um design system único para todos os produtos da empresa.

Telas vindas de outro fluxo já adotaram o mesmo sistema em vez de seguir um padrão próprio. Cada produto que entra na fundação reduz o custo de manter consistência.

Encerramento

O que este projeto prova

Construir um design system não é escolher paleta e tipografia. É decidir quais estados existem, quais telas uma funcionalidade sempre tem, como um erro é comunicado e como tudo isso é verificado antes de chegar ao desenvolvimento.

Consistência só se sustenta quando as regras são executáveis. Documento de boas práticas não impede que a próxima tela saia diferente. Regra em arquivo, template para clonar e checklist que reprova a entrega, sim.

A IA não substituiu decisão de design. Quais tokens existem, quais estados são obrigatórios, qual o conjunto de telas e como é uma página de documentação foram decisões de design, tomadas por pessoas. A IA executou essas decisões com repetibilidade, num volume que não seria viável à mão.

Ficha técnica

Ficha técnica

Projeto
Design system de um produto SaaS B2B: tokens, biblioteca de componentes, padrões de tela e documentação
Empresa
Turn2C. Detalhes do produto omitidos por confidencialidade
Tipo de projeto
Design system e processo de design com IA
Ano
2026
Papel no projeto
Design system expandido a partir de uma biblioteca parcial, em conjunto com outro designer do time: fundação visual, biblioteca de componentes, padrões de tela, normas de escrita, documentação e definição do processo de trabalho com IA, em colaboração com produto e engenharia
Status
Real

Case elaborado a partir dos arquivos de regra do design system, dos playbooks de criação de layout e de documentação de componente e do catálogo de erros. Contagens conforme o painel de métricas do Style Guide no último registro disponível. A biblioteca anterior não está mais acessível, por isso o case não traz números de antes. Telas e regras do produto não são mostradas por acordo de confidencialidade.